Expedição que buscava navio histórico descobre mistério de milhões de ninhos sob o gelo da Antártida
O objetivo inicial era puramente histórico. Cientistas a bordo do navio de pesquisa Polarstern vasculhavam as profundezas congeladas do Mar de Weddell, na Antártida, à procura de um navio naufragado clássico. O que as câmeras rebocadas pelo navio registraram, no entanto, reescreveu a biologia marinha moderna de forma definitiva.
Em vez de destroços de madeira e metal, surgiram formas geométricas no leito oceânico. Eram círculos perfeitos, esculpidos na lama gélida, centenas de metros abaixo da espessa camada de gelo.
O Mistério dos 1.036 Círculos Escavados
À medida que o sistema de câmeras avançava pelo fundo do mar, as imagens revelavam uma simetria inexplicável. Inicialmente, a equipe mapeou 1.036 círculos dispostos de forma regular no solo marinho, conforme relatam as investigações divulgadas pelo portal Revista Oeste. Cada uma dessas depressões circulares media cerca de 75 centímetros de diâmetro. Não se tratava de um fenômeno geológico. Ao aproximarem as lentes de alta resolução, os cientistas perceberam que cada círculo continha um peixe adulto guardando dezenas de milhares de ovos.
A Maior Colônia de Reprodução do Planeta
Os dados geofísicos de mapeamento revelaram que aquela área era imensamente maior do que os olhos podiam ver em um primeiro momento. Cálculos posteriores do Instituto Alfred Wegener, publicados pelo canal O Globo, estimaram uma extensão inacreditável de mais de 60 milhões de ninhos de peixes-gelo ativos na região. Trata-se da maior área de reprodução de peixes já documentada no planeta. A descoberta demonstra que o ecossistema sob o gelo abriga uma biomassa colossal de peixes da espécie Neopagetopsis ionah, fornecendo alimento para predadores da região, como focas-de-weddell."O mapeamento indica que a colônia de reprodução cobre uma área colossal de 240 quilômetros quadrados, demonstrando que as condições térmicas e biológicas dali sustentam uma rede de vida antes considerada impossível sob o gelo."
Fatos Relevantes Sobre a Descoberta
- Profundidade extrema: Os ninhos foram localizados entre 400 e 500 metros de profundidade, em água com temperaturas quase congelantes.
- Reserva ecológica imediata: Cientistas já defendem a criação de uma área de proteção ambiental marinha para evitar danos decorrentes de pescas predatórias no futuro.
- O papel do navio: A embarcação Polarstern utilizou sensores de alta precisão que, originalmente, mapeavam o relevo submarino em busca de rastros históricos de naufrágios.